MANEJO DE AGROECOSSISTEMA

CHAMADA DE ARTIGOS TÉCNICOS CIENTÍFICOS PARA EDIÇÃO ESPECIAL DA REVISTA BRASILEIRA DE AGROECOLOGIA

MANEJO DE AGROECOSSISTEMAS: DESAFIOS EM UMA PERSPECTIVA AGROECOLÓGICA

A Associação Brasileira de Agroecologia (ABA-Agroecologia), por meio do Grupo de Trabalho Manejo de Agroecossistemas, com o objetivo de divulgação e disseminação de conhecimentos científicos e acadêmicos, torna público o presente edital para a chamada de manuscritos sobre “Manejo de Agroecossistemas: Desafios em uma perspectiva agroecológica” a ser publicado pela Revista Brasileira de Agroecologia (RBA) em uma edição especial mista, composta por artigos convidados e artigos submetidos via edital.

DO OBJETO

A presente chamada tem como objetivo mobilizar contribuições em forma de artigos técnico-científicos em torno de temas cujos aportes são fundamentais para a construção da Agroecologia.

A ideia central é reunir subsídios para o debate de temas atuais e relevantes em transversalidade aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), à resiliência e à autossuficiência dos sistemas produtivos.

São encorajados escritos que busquem abordar propostas concretas e práticas de como o manejo dos agroecossistemas dinamiza os territórios, garante a segurança alimentar e nutricional, cria a partir das potencialidades locais a oferta alimentos de qualidade que favorecem a saúde individual e coletiva. Discussões que considerem a transversalidade entre as muitas dimensões da agroecologia, serão de grande interesse.

Experiências oriundas dos mais diferentes campos do conhecimento (Ciências Ambientais, Ciências Agrárias, Ciências Sociais e Humanas, Ciências Biológicas e da Saúde, e demais campos) que vislumbram o diálogo entre a produção de alimentos, ambiente e Agroecologia serão estimuladas e muito bem-vindas.

Serão apreciados os trabalhos que estejam de acordo com as diretrizes para autores e normas de submissão disponíveis em https://revistas.aba-agroecologia.org.br/rbagroecologia/diretrizes_autor e que se enquadrem em um dos seis temas abaixo explicitados.

DO ESCOPO DOS TEMAS PARA SUBMISSÃO DOS ARTIGOS

Tema 1: Agrofloresta e os processos de restauração ecológica

As agroflorestas são importantes ferramentas a serem utilizadas e aplicadas em processos de restauração ecológica. A partir de princípios agroecológicos como a sucessão ecológica, a estratificação e diversidade funcional dos ecossistemas locais e a memória biocultural das populações residentes, as agroflorestas são capazes de não apenas desempenhar diversas funções ecológicas como também promover benefícios sociais, culturais e econômicos. Entende-se por restauração tanto os processos que visam a conservação através do uso econômico permanente, quanto a restauração que em uma fase inicial extrai bens materiais e visa apenas conservação como objetivo final. Assim, esperamos artigos que abordem temas como: Planejamento e Monitoramento de agroflorestas por meio de indicadores; Implantação, manejo e aproveitamento de agroflorestas para restauração; Restauração e conservação através do uso da biodiversidade; Políticas públicas para agroflorestas; Agroflorestas para adequação ambiental em áreas protegidas (incluindo APP e RL); Geração de Serviços Ecossistêmicos (SE) e Contribuições da Natureza para as Pessoas (CNP) pela restauração agroflorestal; Harmonização entre a legislação da restauração ecológica com o aproveitamento agroflorestal; Biodiversidade e multifuncionalidade em agroflorestas; Critérios etnográficos e ecológicos para  definição de espécies nas agroflorestas.

Tema 2: Bioeconomia, agroextrativismo e sociobiodiversidade

A bioeconomia sob a luz da agroecologia e do manejo dos agroecossistemas se propõe a investigar o tipo de relações econômicas e tecnologias sociais de extração-produção, comercialização e consumo baseadas nos ecossistemas (biomas) naturais e suas lógicas espaço temporais. O agroextrativismo como combinação de atividades extrativas com técnicas de cultivo, criação e beneficiamento, é orientado para a diversificação, consórcio de espécies, imitação da estrutura e dos padrões do ambiente natural e uso de técnicas, geralmente desenvolvidas a partir dos saberes e práticas tradicionais, do conhecimento dos ecossistemas e das condições ecológicas regionais. Assim, a sociobiodiversidade emerge da coexistência e co-evolução dos seres humanos junto com os outros componentes dos ecossistemas que até hoje ocupou e transformou. Nesse contexto, os artigos podem abordar os seguintes temas: O manejo feito por povos do campo, da floresta e das águas (camponeses, quilombolas, indígenas, ribeirinhos, entre outros), suas organizações, cosmovisões e experiências a respeito do agroextrativismo, do manejo das agroflorestas e outros ecossistemas naturais; O manejo dos recursos naturais e o desenvolvimento territorial sustentável; Outros tipos de relações econômicas e tecnologias sociais de produção, comercialização e consumo nesses territórios; Uso da biodiversidade, beneficiamento, processamento e agroindustrialização; O potencial de espécies nativas na produção de alimentos, óleos, fibras, medicamentos e outros beneficiamentos que promovem agregação de valor e geração de renda; Manejo comunitário de produtos madeireiros e não madeireiros de espécies nativas.

Tema 3: Bioinsumos

Bioinsumos são bens ou serviços, oriundos de organismos vivos ou de seus processos de transformação, utilizados na produção de outros bens e serviços em sistemas de produção animal e vegetal, desde a produção primária até a pós colheita, processamento e armazenamento. Portanto, incluem-se nesse conceito o conhecimento técnico, os manejos e práticas utilizados em sistemas produtivos. Os artigos devem abordar o tema dos bioinsumos em um contexto de diálogo com todas as dimensões da agroecologia. É preciso considerar os bioinsumos em seu escopo mais amplo de debate que envolve produtos, processos, práticas e tecnologias. Nessa abordagem, os bioinsumos consideram fortemente a autonomia e a autossuficiência dos agricultores e produtores no debate e a transversalidade com os ODS, especialmente. Estão incluídos no debate sobre bioinsumos as experiências relacionadas à: Produção on farm de bioprodutos, Manejo ecológico de insetos e doenças, Manejo ecológico de solo e adubação verde, Homeopatia animal, homeopatia aplicada à agricultura, as sementes, os biofertilizantes, os compostos orgânicos, as caldas naturais, o controle biológico, os inoculantes, os fitoterápicos de uso veterinário, as práticas agrícolas e de manejo animal de raças tradicionais ou crioulas, os conservantes naturais, as embalagens oriundas de derivados vegetais entre outros.

Tema 4: Sistemas agroecológicos de criação animal

Os sistemas de criação animal ecológicos são apresentados como uma alternativa para enfrentar alguns dos desafios do setor agropecuário, tais como a perda da biodiversidade, a contaminação de águas e solos e a emissão de GEE. Estes sistemas se destacam pela diversidade, pelo máximo aproveitamento dos recursos internos da propriedade e pela manutenção das funções ecossistêmicas essenciais para a atividade agrícola e para a vida humana. Os sistemas ecológicos de produção animal contemplam também questões éticas como o bem-estar animal e a preservação da identidade cultural associada à criação de animais. Portanto, os artigos submetidos devem abordar a produção animal e seus derivados, com ênfase nos seguintes temas: Sistemas diversificados de produção animal integrados à paisagem local e associados a restauração de biomas; integração lavoura-pecuária-floresta; sistemas silvipastoris; estudos em alimentação animal alternativa; sanidade animal com uso de fitoterápicos e homeopatia; manejo ecológico e recuperação de pastagens naturalizadas; reconhecimento de sistemas tradicionais de produção animal.

Tema 5: Sistemas de produção de Plantas Alimentícias Não Convencionais – PANC

As Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) incluem espécies vegetais que não estão amplamente inseridas no sistema agroalimentar hegemônico, sistema este que ao longo dos anos restringiu de forma muito acentuada a diversidade da dieta da população. De forma geral, são espécies de grande valor nutricional e cultural, com potencial agronômico, incluindo hortaliças tradicionais, frutas nativas, bem como espécies de crescimento espontâneo, consideradas indesejáveis, ou então não interessantes ao mercado consumidor, na lógica do referido sistema. Diversas espécies de PANC tiveram uso mais amplo no passado, especialmente por populações rurais, sendo algumas ainda mantidas por populações tradicionais e agricultores (as). O conceito ainda abrange espécies com uso alimentício pouco difundido ou desconhecido no Brasil. Desta forma, os artigos podem abordar: práticas de manejo e modelos de produção de PANC com base ecológica; estudos de produtividade das espécies, seus potenciais multipropósitos e interações ecológicas benéficas ao manejo dos agroecossistemas; análises bromatológicas, nutricionais, de compostos bioativos; técnicas de processamento, armazenamento e agregação de valor; formas e práticas de comercialização. Os artigos devem relacionar e situar as PANC quanto à segurança e soberania alimentar e nutricional, geração de autonomia para os (as) agricultores (as) e resiliência ecológica dos agroecossistemas.

Tema 6: Sistemas resilientes para mitigação e adaptação dos efeitos do câmbio climático

A agroecologia tem papel fundamental ao propor sistemas agrícolas que contribuem para o enfrentamento das mudanças climáticas, seja através da adaptação ou da mitigação dos seus efeitos. O manejo dos agroecossistemas estimula processos que aumentam a resiliência dos sistemas pelo aproveitamento dos recursos locais, biodiversidade, redução de insumos externos, fixação de carbono na biomassa, manutenção do solo vivo e a valorização do conhecimento campesino. Os sistemas agrícolas atuais são altamente demandantes de energia fóssil para a produção e distribuição dos alimentos e derivados, com diferentes níveis de impacto nas mudanças climáticas. Da mesma maneira que é importante mitigar as mudanças climáticas, é fundamental a adaptação dos sistemas a longo prazo, considerando que a redução de emissões e sua captura não serão suficientes para frear a crise climática. Os artigos devem dialogar com todas as dimensões da agroecologia e podem abordar os seguintes temas: Sistemas agrícolas e pecuários de baixa emissão de gases de efeito estufa e metabolismo de carbono; Indicadores de eficiência energética e resiliência dos sistemas agrícolas familiares e tradicionais; Reaproveitamento de resíduos/subprodutos;  Alternativas de uso de solo como sumidouros de carbono; Uso de variedades/raças e práticas adaptadas a condições de baixa disponibilidade de recursos e insumos energéticos; Sistemas inteligentes de uso e manejo de águas; Circuitos curtos de distribuição e consumo dos alimentos e demais produtos.

DA ELABORAÇÃO DOS ARTIGOS E DEMAIS PRODUÇÕES TEXTUAIS

Os textos deverão ser confeccionados de acordo com o Escopo da Revista Brasileira de Agroecologia em consonância com as Diretrizes para os Autores/as disposto em https://revistas.aba-agroecologia.org.br/rbagroecologia/diretrizes_autor. Organizados de acordo com os modelos disponíveis em https://revistas.aba-agroecologia.org.br/rbagroecologia/template_submission.

Os textos não poderão ultrapassar 20 páginas em espaço 1,5, formato Arial ou Time New Roman.

Importante ressaltar que estudos/pesquisas que envolvam pessoas, acesso à biodiversidade e conhecimento associado devem estar em sua respectiva conformidade legal (comitê de ética, plataforma Brasil, Sisgen, etc.)

DO PROCESSO EDITORIAL PARA PUBLICAÇÃO

O processo editorial será realizado em seis etapas, quais sejam:

  1. Submissão dos artigos pelos autores e autoras na Revista Brasileira de Agroecologia, no endereço: https://revistas.aba-agroecologia.org.br/rbagroecologia/about/submissions
  2. Pré-avaliação da edição geral para conferir aderência ao presente edital;
  • Avaliação da contribuição por pareceristas, em sistema Duplo Cego com interveniência de editores de seção designados para este edital;
  1. Devolução aos autores para adequação, caso seja necessário;
  2. Atendidas todas as necessidades, emissão de parecer de aceite e envio para editoração;
  3. Publicação da versão final do artigo, com revisão de português e/ou espanhol e/ou inglês, conforme o caso.

DA SUBMISSÃO DOS ARTIGOS E DEMAIS PRODUÇÕES TEXTUAIS

A submissão será realizada exclusivamente pelo Site da Revista Brasileira de Agroecologia no endereço: https://revistas.aba-agroecologia.org.br/rbagroecologia/about/submissions.

Como parte do processo de submissão, autores e autoras são obrigados a verificar a conformidade da submissão em relação a todos os itens listados a seguir. As submissões que não estiverem de acordo com as normas serão devolvidas aos autores.

  1. A contribuição é original e inédita, e não está sendo avaliada para publicação por outra revista;
  2. Os arquivos para submissão estão em formato Microsoft Word (.doc), Rich Text Format (.RTF) ou OpenOffice.org 1.0 Text Document (.sxw ou .odt);
  3. Todos os endereços "URL" no texto estão ativos;
  4. As submissões estão de acordo com todas as regras estabelecidas nas Diretrizes aos autores na RBA.

DA AVALIAÇÃO DOS MANUSCRITOS

Os manuscritos submetidos para publicação, desde que tratem da temática relacionada a esta Chamada e estejam de acordo com as normas para publicação da RBA, serão submetidos a pelo menos, dois consultores ad hoc para avaliação às cegas. Tendo pareceres favoráveis, os manuscritos poderão ser (a) aceitos sem adequações ou (b) serem solicitados ajustes/melhorias aos autores, conforme entendimento dos revisores e editores de seção, modificações em maior ou menor grau para melhor adequação à política editorial da revista e adequação ao Objeto da Chamada. Pequenas alterações ortográficas no texto poderão ser feitas a critério da comissão editorial da revista, sem consulta aos autores.

DO CRONOGRAMA

Lançamento desta chamada: 01/04/2022

Recebimento de manuscritos: Até 31/07/2022

Avaliação dos Artigos: Até 21/10/2022

Lançamento previsto da Edição Especial: A partir de 01/12/2022

DAS DISPOSIÇÕES FINAIS

A submissão prevê a cobrança de taxas de editoração, fixadas conforme a Revista Brasileira de Agroecologia as quais estão condicionadas apenas ao seu aceite para publicação.

A participação neste processo seletivo implica a completa ciência e aceitação tácita dos termos e condições estabelecidos nesta Chamada, sobre os quais o candidato não pode interpor recurso ou alegar desconhecimento.

Os autores e as autoras dos artigos selecionados cedem, desde já, a utilização do artigo, nome d@s autor@s e das imagens relativas à produção e divulgação para fins de promoção institucional da Chamada em questão.

Dúvidas poderão ser solucionadas pelo e-mail: aba.gtmanejo@gmail.com.

Os autores e as autoras são responsáveis pela veracidade, ideias, discussões e imagens apresentadas no manuscrito de sua autoria, sob pena de Lei.

Os autores e autoras dos manuscritos selecionados submeter-se-ão às normas e condições de publicação da Revista adotadas de acordo com esta Chamada.

Os casos omissos serão decididos pelo Comitê Editorial desta Edição Especial e pela Equipe Editorial da RBA.

Fica estabelecido como Comitê Editorial desta Edição Especial:

Mariane Carvalho Vidal (Embrapa)
Clovis José Fernandes de Oliveira Jr. (IPA- SP)
Fernando Silveira Franco (UFSCAR)
Eduardo Ferreira Sales (INCAPER)
Eduardo Guatimosim (FURG)
Felipe Pinho de Oliveira (IFPR)

 

Brasília, 01 de abril de 2022.

Associação Brasileira de Agroecologia (ABA-Agroecologia)

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