Resposta do coquinho-azedo à adubação mineral e orgânica em fase de desenvolvimento inicial
PDF

Como Citar

Fernandes Aquino, C., Nascimento Lopes, P. S., Pereira da Silva, H., Gomes Neves, J. M., & Cardoso de Moura, R. (2007). Resposta do coquinho-azedo à adubação mineral e orgânica em fase de desenvolvimento inicial. Revista Brasileira De Agroecologia, 2(2). Recuperado de https://revistas.aba-agroecologia.org.br/rbagroecologia/article/view/6979

Resumo

Resposta do coquinho-azedo à adubação mineral e orgânica em fase de desenvolvimento inicial Answer of the coconut-acidity to the mineral and organic manuring in phase of initial development Resumo O Coquinho-azedo (Butia capitata (Mart.) Becc) destaca-se pela sua importância sócio-econômica, constatada pelo elevado consumo do seu fruto in natura ou na forma de sucos, sorvetes e picolés. O extrativismo intenso consiste na única forma de exploração, da espécie. Este estudo objetiva avaliar o desenvolvimento inicial do coquinho-azedo em função de diferentes fontes e dosagens de adubos. Para tanto, foi conduzido um experimento em delineamento de blocos casualizados, com cinco tratamentos, quatro blocos e duas plantas por parcela. Os tratamentos foram: 1- sem adubação; 2- 20 l de esterco de curral na cova antes do plantio; 3- aplicação mensal de 12,8 g de uréia e 8,3 g de cloreto de potássio em cobertura; 4- aplicação mensal de 25,6 g de uréia e 16,6 g de cloreto de potássio em cobertura; 5- aplicação de 20 l de esterco de curral na cova antes do plantio e a mesma dose seis meses após o plantio. As plantas foram avaliadas 20 meses pós-plantio. Os tratamentos aplicados não apresentaram diferenças estatísticas significativas, sendo as médias encontradas para altura total de 10,12 cm, número folhas pinadas 9,5 cm, comprimento da 1º folha de 39,2 cm; 2º folha 40,1cm e 3º folha 39,2 cm e diâmetro de 23,8 mm. Palavras chave: Butia capitata, adubação, cerrado, nutrição, extrativismo. Abstract The Coquinho-azedo (Butia capitata (Mart.) Becc) stands out for your socioeconomic importance, verified by the high consumption of your fruit in natura or in the form of juices, ice creams and popsicles. The intense extrativismo consists of the only exploration form, of the species. This study aims at to evaluate the initial development of the coquinho-azedo in function of different sources and dosage of fertilizers. For so much, an experiment was led in lineation of blocks casualizados, with five treatments, four blocks and two plants for portion. The treatments were: 1 - without manuring; 2 - 20 l of corral manure in the hole before the planting; 3 - monthly application of 12,8 g of uréia and 8,3 g of potassium chloride in covering; 4 - monthly application of 25,6 g of uréia and 16,6 g of potassium chloride in covering; 5 - application of 20 l of corral manure in the hole before the planting and the same dose six months after the planting. The plants were appraised 20 months powder-planting. The applied treatments didn't present significant statistical differences, being the averages found for total height of 10,12 cm, number leaves pinadas 9,5 cm, length of the 1st leaf of 39,2 cm; 2nd leaf 40,1cm and 3rd leaf 39,2 cm and diameter of 23,8 mm. Key words: Butia capitata, manuring, cerrado, nutrition, extrativismo. Introdução O norte de Minas Gerais possui a maioria da sua área coberta com a vegetação de cerrado. Essa vegetação possui inúmeras espécies de plantas que têm sido identificadas como portadoras de propriedades que as tornam atrativas para a exploração pelo homem (Blumenschein & Caldas, 1995). Dentre as espécies se destaca uma palmeira conhecida como coquinho-azedo (Butia capitata (Mart.) Becc) que ocorre com predominância acompanhando as margens dos rios e córregos (Martins, 2003). No Norte de Minas, muitas famílias vivem do extrativismo e o coquinho esta entre as espécies mais coletadas do cerrado, pois o mesocarpo dos frutos é muito apreciados pela população local, tanto para consumo in natura, quanto na fabricação de sucos, picolés e sorvetes. Além disso, suas folhas são utilizadas para a cobertura de casas de pau-a-pique e artesanato, enquanto as sementes (amêndoas) são aproveitadas para fabricação de óleo comestível (Silva 1998). Isto demonstra o potencial desta frutífera e quanto esta pode contribuir para gerar renda e emprego em comunidades rurais carentes. A exploração desta espécie é feita de forma extrativista e muitas vezes predatória, o que provoca a perda de genótipos superiores, acarretando problemas na disseminação e sustentabilidade da espécie. Desta forma torna-se imprescindível que o cultivo delas seja iniciado o mais breve possível. Entretanto, segundo Carpanezzi et al. (1976), informações sobre exigências nutricionais de espécies florestais, em especial das essências nativas, são escassas. Ademais em muitos casos, os cultivos não podem ser realizados em larga escala em decorrência de poucos estudos sobre a variabilidade genética, técnicas de cultivo, crescimento e desenvolvimento dessas espécies. Desta forma a domesticação do coquinho-azedo com implantação de pomares comerciais pode ser uma grande oportunidade econômica para o norte de Minas Gerais, porém, é importante conhecer a resposta desta espécie a adubação com vistas a potencializar o seu desempenho produtivo sustentável. Neste sentido, o objetivo deste trabalho foi verificar o comportamento agronômico do coquinho-azedo implantado em sistema de plantio, em função de diferentes doses e fontes de adubos. Material e Métodos O presente experimento esta sendo conduzido na área experimental do Núcleo de Ciências Agrárias da UFMG em Montes Claros – MG. Na área foram coletadas amostras de solo para análises química e física, apresentando um solo de textura argilosa e com boa fertilidade. Os frutos foram coletados de matrizes de boa aparência no município de Montes Claros. Em seguida procedeu-se com despolpamento de forma manual, com o auxilio de faca. As sementes foram plantadas, em leito de areia, sendo repicadas quando as plântulas atingem 20cm de altura para sacolas com substrato contendo duas medidas de terra por uma de esterco de curral. Quando as mudas já estavam com 4 a 5 folhas iniciais, selecionou as mais homogêneas, tendo como base no porte e número de folhas. As mesmas foram plantadas utilizando um espaçamento de 2,5 x 3 m. O experimento foi organizado segundo um delineamento de blocos casualizados, com 4 blocos, 5 tratamentos e 2 plantas por parcela. Os tratamentos foram: 1- sem nenhum tipo de adubação; 2- 20 l de esterco de curral na cova antes do plantio; 3- aplicação mensal de 12,8 g de uréia e 8,3 g de cloreto de potássio na cova; 4- aplicação mensal de 25,6 g de uréia e 16,6 g de cloreto de potássio na cova; 5- aplicação de 20 l de esterco de curral na cova antes do plantio e a mesma dose seis meses após o plantio. As plantas foram avaliadas com vintes meses pós-plantio, quanto à altura total de plantas, número de folhas iniciais, número de folhas definitivas, comprimento do limbo foliar e diâmetro do caule. A altura total foi tomada do solo até a altura de inserção da folha flecha. O comprimento do limbo foliar foi medido na 1a, 2a ou 3a folha, que se encontrava aberta a partir da folha flecha (Reis et al. 1996). O diâmetro foi medido com um paquímetro. Para a determinação do diâmetro foi estabelecida uma altura de 3 cm a partir do solo. Resultados e discussão Ao término de vinte meses, os tratamentos aplicados não diferiram significativamente, sendo as médias encontradas para altura total de plantas de 10,2 cm, do número de folhas pinadas de 9,5 cm, do comprimento do limbo foliar para a 1º folha de 39,2 cm, da 2º folha de 40,1cm e 3º folha de 39,2 cm e diâmetro do caule de 23,8 mm. As adições de doses de uréia e cloreto de potássio, não influenciaram no crescimento das plantas do coquinho-azedo. Provavelmelmente os tratamentos não interferiram no crescimento inicial do coquinho-azedo devido à área onde está implantado o experimento apresentar uma boa fertilidade, suprindo assim as exigências nutricionais da planta nesta fase. Associado a isso, como o coquinho-azedo sobrevive e produz naturalmente em áreas de baixa fertilidade, a sua exigência nutricional pode ser limitada, impedindo assim que não haja resposta das plantas nesta fase a adubação. Conclusão Conclui-se, portanto, que o coquinho-azedo em fase de desenvolvimento inicial não demonstrou resposta à adubação orgânica e mineral. Referêrecias Bibliográficas BLUMENCHEIN, A.; CALDAS, R. A. Projeto de domesticação de plantas do cerrado e sua incorporação a sistemas produtivos regionais. Goiânia: UFG, 1995. 91p. CARPANEZZI, A.A.; BRITO, J.O.; FERNANDES, P.; JARK FILHO, W. Teor de macro e micronutrientes em folhas de diferentes idades de algumas essências florestais nativas. Anais da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz. Piracicaba, v.23, p.225-232, 1976. MARTINS, E. R. Projeto: conservação de recursos genéticos de espécies frutíferas nativas do norte mineiro: coleta, ecogeografia e etnobotânico. Montes Claros. UFMG, 2003. 76p. (Relatório institucional). REIS, A., KAGEYAMA, P.Y., REIS, M.S. & FANTINI, A.C. 1996. Demografia de Euterpe edulis Martius (Arecaceae) em uma floresta densa montana em Blumenau, SC. Sellowia 45-48:13-45. Silva, S. R. Plantas do Cerrado utilizadas pelas comunidades da região do Grande Sertão Veredas. Brasília: Fundação Pró-Natureza. FUNATURA, 1998. 109p.
PDF

Aviso de Copyright
Os direitos autorais para artigos publicados nesta revista são dos autores, com direitos de primeira publicação para a revista.

Em virtude de aparecerem nesta revista de acesso público, os artigos são de distribuição gratuita, com atribuições próprias, em aplicações educacionais e não-comerciais com licenciada através da CC BY-NC-SA.