A concepção do trabalho camponês e a agroecologia: controvérsias na elaboração de SAFs no assentamento Mario Lago

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Resumo

Resumo O texto pretende reconhecer a controvérsia existente no significado do “mato” como um conflito entre conhecimentos, presente na concepção de trabalho camponês, como uma resistência a aceitação dos princípios da agroecologia. A pesquisa qualitativa combinou trabalho de campo com a participação em reuniões, análise de entrevistas e bibliografia. Este debate ocorre em um contexto de construção de saberes e desenvolvimento de Sistemas Agroflorestais (SAFs), com apoio técnico da Cooperafloresta (Associação de Agricultores Agroflorestais de Barra do Turvo-SP e Adrianópolis- SP) no assentamento Mario Lago, organizado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) situado na cidade de Ribeirão Preto – SP. A experiência da Cooperafloresta no assentamento revela o dualismo presente na concepção camponesa de agricultura e natureza , e demonstra divergências com as formas de manejo agroflorestais. O enfrentamento desta problemática resultou na elaboração de novas técnicas de sistemas agroflorestais ajustado às necessidades e questões apresentadas.

Biografia do Autor

Monica Hashimoto Iha, Universidade de São Paulo

Doutoranda no Programa de Geografia Humana -Departamento de Geografia - USP

Referências

No âmbito da Cooperafloresta, esta definição contempla também as práticas de sucessão e manejo portanto, costuma-se chamar de agrofloresta uma paisagem formada a partir de intervenções baseadas nesta noção de sustentabilidade, em uma área definida, cuja cobertura anterior pode ser um pasto, uma lavoura ou uma capoeira (floresta secundária), em diferentes estágios de sucessão. (STEENBOCK, 2013)

“O trabalho é a negação da vegetação espontânea, do mato, onde os homens forçam a terra a gerar plantas socialmente consideradas úteis.” (GARCIA Jr, 1978)

Nesta concepção o trabalho prevalece como uma forma de dominação humana sobre a natureza. O significado do “mato” surge exatamente como uma “oposição ao trabalho”, onde se instaura uma espécie de vergonha ao contrário da honra promovida pelo roçado limpo, sem mato, considerado local trabalhado e seguro. Por outro lado, a concepção camponesa do trabalho que ordena o mundo, no manejo ecológico é mantida, porém afirma-se como uma relação de troca com a natureza, no sentido de dádivas. (K. WOORTMANN e E. WOORTMANN,1997)

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Publicado

2016-05-16

Edição

Seção

IX CBA 5. Construção do Conhecimento Agroecológico