Noções de Agroecologia no MST e a experiência do Assentamento Cunha em Goiás

Autores

  • Fernanda Teixeira Frade Almeida Universidade de Brasília
  • Sérgio Sauer Universidade de Brasília

Palavras-chave:

experiência agroecológica, assentamento de reforma agrária, organização produtiva.

Resumo

Este trabalho apresenta alguns resultados da pesquisa no Mestrado em Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural (Mader), da Faculdade UnB de Planaltina, defendida em agosto de 2014. A pesquisa estudou a relação entre a concepção de Agroecologia do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a experiência agroecológica no Assentamento Cunha, localizado em área rural do município de Cidade Ocidental, no estado de Goiás. Tomando o assentamento Cunha como uma experiência agroecológica concreta do MST, a preocupação central se desdobrou nas seguintes perguntas: Qual a concepção de Agroecologia do MST? Quais os diferentes momentos históricos e estágios pelos quais passou a Agroecologia no MST e na experiência do Assentamento Cunha? Qual foi o papel e a contribuição do MST na trama que constituiu a experiência agroecológica no Assentamento? A metodologia utilizada foi essencialmente qualitativa, com o uso de instrumentos como observação in locu, apontamentos de diário de campo, entrevistas estruturadas e semiestruturadas, gravação em áudio e fotografias. A pesquisa demonstrou que a reterritorialização camponesa provocou a emergência de diversos conflitos que impactaram negativamente na experiência agroecológica, provocando a retomada do desenvolvimento da agricultura capitalista. Apesar disso, a pesquisa identificou que o processo formativo em Agroecologia no Assentamento Cunha, realizado pelo MST e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), durante a realização do Programa Biodiversidade Brasil­Itália, entre os anos 2005 e 2009, foi o aspecto mais positivo de toda a experiência. Também demonstrou que, embora o discurso do MST sobre Agroecologia ainda não esteja unificado, princípios e práticas adotadas, ao longo do tempo, têm seguido debates internacionais da Via Campesina, da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), assim como concepções, estudos e formulações de reconhecidos especialistas no tema. As práticas estão pautadas nas concepções teóricas e buscam uma concretização de princípios como respeito ao meio ambiente, cooperação, relação entre ruptura e transição agroecológica e soberania alimentar.

Biografia do Autor

Fernanda Teixeira Frade Almeida, Universidade de Brasília

Faculdade de Planaltina Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural (Mader)

Sérgio Sauer, Universidade de Brasília

Faculdade de Planaltina Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural (Mader)

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Publicado

2016-05-16

Edição

Seção

IX CBA 5. Construção do Conhecimento Agroecológico