PLANTAS ALIMENTÍCIAS NÃO CONVENCIONAIS UTILIZADAS PELAS FAMÍLIAS AGRICULTORAS DO NÚCLEO LUTA CAMPONESA DA REDE ECOVIDA DE AGROECOLOGIA, PARANÁ

##plugins.themes.bootstrap3.article.main##

Ana Cláudia Rauber Josimeire Aparecida Leandrini Gilmar Franzener

Resumo

Existe uma grande diversidade de plantas nativas ou cultivadas que pode ser utilizada na alimentação e que contribuem com a soberania alimentar. Assim, esta pesquisa objetivou verificar quais plantas alimentícias não convencionais (PANC) são conhecidas e utilizadas pelas famílias agricultoras pertencentes ao Núcleo Luta Camponesa da Rede Ecovida de Agroecologia, Paraná. Para tanto, foram realizadas entrevistas semiestruturadas, caminhada etnobotânica e observação participante, em 30 unidades de produção familiar. Foram citadas 67 etnoespécies, sendo 34 nativas, 29 cultivadas e quatro naturalizadas. Constatou-se que algumas PANC foram substituídas por espécies convencionais, e que houve redução da ocorrência de algumas espécies devido à modernização agrícola. Com a transição agroecológica realizada em unidades produtivas, muitas PANC passaram a ser incorporadas ao agroecossistema. Portanto, as famílias camponesas conhecem e utilizam as PANC, e estas já fazem parte da cultura alimentar ou estão sendo conhecidas, sendo que a agroecologia tem papel fundamental no resgate destes saberes e na divulgação dos novos.

##plugins.themes.bootstrap3.article.details##

Como Citar
RAUBER, Ana Cláudia; LEANDRINI, Josimeire Aparecida; FRANZENER, Gilmar. PLANTAS ALIMENTÍCIAS NÃO CONVENCIONAIS UTILIZADAS PELAS FAMÍLIAS AGRICULTORAS DO NÚCLEO LUTA CAMPONESA DA REDE ECOVIDA DE AGROECOLOGIA, PARANÁ. Revista Brasileira de Agroecologia, [S.l.], v. 16, n. 2, p. 195-204, july 2021. ISSN 1980-9735. Disponível em: <http://revistas.aba-agroecologia.org.br/index.php/rbagroecologia/article/view/23331>. Acesso em: 26 oct. 2021. doi: https://doi.org/10.33240/rba.v16i2.23331.
Seção
Artigos

Referências

ALBUQUERQUE, U. P. Introdução à etnobotânica. 2ª ed.- Rio de Janeiro: Interciência, 2005.

ALBUQUERQUE, U. P.; ANDRADE, L. H. C. Uso de recursos vegetais da caatinga: o caso do agreste do estado de Pernambuco (nordeste do Brasil). Interciência, v.27, n.7, p.336-346, 2002.

ALTIERI, M. A. Agroecologia: bases científicas para uma agricultura sustentável. São Pulo, Rio de Janeiro: Expressão Popular, AS-PTA, 2012.

BARREIRA, T. F. et al. Diversidade e equitabilidade de Plantas Alimentícias Não Convencionais na zona rural de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Revista Brasileira de Plantas Medicinais, v.17, n.4, p. 964-974, 2015.

CALLEGARO, I. C. As culturas alimentares tradicionais e seu papel na manutenção da biodiversidade, da segurança alimentar, do patrimônio cultural e genético no Território de Identidade de Itapetinga-Ba, Brasil. Tese (Doutorado em Geografia, Planificação Territorial e Gestão Ambiental) – Parceria da Universidade de Barcelona com a Universidade Estadual do Oeste da Bahia – UESB, Vitória da Conquista, 2013.

CAPORAL, F. R.; COSTABEBER, J. A.; PAULUS, G. (org.) Agroecologia: uma ciência do campo da complexidade. – Brasília: 2009.

CHAVARRÍA, G.; FÜSSEL, J. Mudança de atitude em relação a verduras e grãos básicos nativos. Agriculturas, v.1, n.1, p.19-22, 2004.

CRUZ NETO, O. O trabalho de campo como descoberta e criação. In: MINAYO, M. C. S. (org.) Pesquisa social: teoria, método e criatividade. Editora temas sociais, 2001, p. 51-66.

EHLERS, E. O que é agricultura sustentável. São Paulo: Brasiliense, 2008.

FAVARO, J. L.; GÓMEZ, J. M. Proposta teórico-metodológica para compreensão da política de desenvolvimento territorial do território da cidadania Paraná Centro. Revista de Geografia, v.28, n.3, 2011.

GARCIA, R. W. D. Reflexos da globalização na cultura alimentar: considerações sobre as mudanças na alimentação urbana. Revista de Nutrição, v.16, n.4, p.483-492, 2003.

GEILFUS, F. 80 herramientas para el desarrollo participativo: diagnóstico, planificación, monitoreo, evaluación. San José, C.R.: IICA, 2002.

IPARDES. Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social. Leituras regionais: Mesorregião Geográfica Centro-Sul Paranaense. Curitiba: IPARDES: BRDE, 2004.

KAHANE, R. et al. Agrobiodiversity for food security, health and income. Agronomy for Sustainable Development, v.33, p.671–693, 2013.

KINUPP, V. F.; BARROS, I. B. I. Levantamento de dados e divulgação do potencial das plantas alimentícias alternativas no Brasil. Horticultura brasileira. v. 22, n. 2, 2004.

KINUPP, V. F.; LORENZI, H. Plantas alimentícias não convencionais (PANCs) do Brasil: guia de identificação, aspectos nutricionais e receitas ilustradas. São Paulo: Instituto Plantarum de Estudos da Flora, 2014.

MOLINA, M. et al. Weeds and food diversity : Natural yield assessment and future alternatives for traditionally consumed wild vegetables. Journal of Ethnobiology, v. 34, n. 1, p. 44–67, 2014.

PASTORAL DA CRIANÇA. Multimistura não cura anemia. 2015. Disponível em: http://www.pastoraldacrianca.org.br/outrosassuntos/148-crianca/2952-multimistura-nao-cura-anemia. Acesso em março de 2016.

RAPOPORT, E. H; MARZOCCA, A.; DRAUSAL, B. S. Malezas comestibles del cono sur y otras partes del planeta. Fundación Normatil, 2009.

SHIVA, V. Monoculturas da mente: perspectivas da biodiversidade e da biotecnologia. São Paulo: Gaia, 2003. p. 21-83.

TOLEDO, V. M.; BARRERA-BASSOLS, N. A memória biocultural: a importância das sabedorias tradicionais. São Paulo: Expressão popular, 2015.

TULER, A. C.; PEIXOTO, A. L.; SILVA, N. C. B. Plantas alimentícias não convencionais (PANC) na comunidade rural de São José da Figueira, Durandé, Minas Gerais, Brasil. Rodriguésia, v.70, e01142018, 2019.