SABERES E PRÁTICAS POPULARES NO USO DE PLANTAS MEDICINAIS EM ESPAÇO URBANO NO SUL DO BRASIL

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Alisson Martins Duarte Anelise Viapiana Masiero Pedro Boff Mariana Pucci

Resumo

Plantas medicinais têm sido utilizadas como primeiro tratamento de enfermidades por famílias de regiões longínquas dos centros urbanos, desprovidas de pronto-socorro, ambulatórios ou hospitais. O objetivo deste trabalho foi estudar a persistência no uso de plantas medicinais em espaços urbanos nos quais o serviço de saúde pública é de fácil acesso. Quarenta e seis entrevistas semiestruturadas foram realizadas no período de junho a dezembro de 2014, com mantedores de plantas medicinais. As indicações de uso pelo fator de consenso do informante (FCI) foi o maior para transtornos mentais e comportamentais (0,92), seguido de doenças do aparelho digestivo (0,88) e doenças do aparelho respiratório (0,85). Maiores níveis de fidelidade (NF) foram para Malva parviflora em “infecção” (100%) e Melissa officinalis (cidreira), como “calmante” (96,77%). A prioridade de ordenamento (POR) foi de 0,72 e 0,77, respectivamente, para a M. parviflora e M. officinalis, o que indica ser significativo o conhecimento associado. O uso de plantas medicinais por iniciativa familiar, em áreas urbanas, atende ao tratamento primário, mesmo que a atenção básica de saúde esteja de fácil acesso.

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Como Citar
DUARTE, Alisson Martins et al. SABERES E PRÁTICAS POPULARES NO USO DE PLANTAS MEDICINAIS EM ESPAÇO URBANO NO SUL DO BRASIL. Revista Brasileira de Agroecologia, [S.l.], v. 15, n. 1, p. 13, mar. 2020. ISSN 1980-9735. Disponível em: <http://revistas.aba-agroecologia.org.br/index.php/rbagroecologia/article/view/22978>. Acesso em: 07 june 2020. doi: https://doi.org/10.33240/rba.v15i1.22978.
Seção
Artigos

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